HIDROTERAPIA
Introdução
A hidroterapia vem sendo indicada e utilizada por médicos e fisioterapeutas em
programas de reabilitação multidisciplinares, principalmente na área
reumatológica. Com o seu ressurgimento na década passada, houve um grande
crescimento e desenvolvimento das técnicas e tratamentos utilizados no meio
aquático. É pertinente a este artigo o esclarecimento e a conscientização dos
profissionais que utilizam as atividades aquáticas como parte do processo de
reabilitação, quanto aos seguintes tópicos: o histórico, os efeitos
fisiológicos e terapêuticos da água, as técnicas hidroterapêuticas, as
adaptações da piscina e equipamento e a aplicabilidade da hidroterapia nas diversas
disfunções e clínicas. Esperamos que este texto traga novas idéias e variações
no uso de técnicas que venham incrementar a utilização do meio aquático dentro
da reabilitação de pacientes reumatológicos.
Definição
O conceito do uso da água para fins terapêuticos na reabilitação teve vários
nomes como: hidrologia, hidrática, hidroterapia, hidroginástica, terapia pela
água e exercícios na água. Atualmente, o termo mais utilizado é reabilitação
aquática ou hidroterapia (do grego: "hydor", "hydatos" =
água / "therapeia" = tratamento).
Existem diversas formas de se usar a água como elemento terapêutico. O termo
hidroterapia engloba todas elas, mas podem ser diferenciadas algumas formas
distintas de utilização da água em processos profiláticos ou terapêuticos, tais
como:
1. A hidroterapia por via oral;
2. A balneoterapia;
3. As duchas quentes; frias ou mornas;
4. As compressas úmidas;
5. A crioterapia;
6. A talassoterapia;
7. A fangoterapia;
8. A crenoterapia;
9. Saunas;
10. Turbilhão;
11. Hidromassagem;
12. Hidrocinesioterapia ou fisioterapia aquática(1).
Histórico
Através de nossa história a utilização da água como meio de cura vem sendo
descrita desde a civilização grega (por volta de 500 a.C.). Escolas de medicina
foram criadas próximas as estações de banho e fontes, desenvolvendo, assim, as
técnicas aquáticas e suas utilizações no tratamento físico específico.
Hipócrates já utilizava a hidroterapia para pacientes com doenças reumáticas,
neurológicas, icterícia, assim como tratamento de imersão para espasmos
musculares e doenças articulares (460-375 a.C.).
Já os romanos utilizavam os banhos para higiene e prevenção de lesões nos
atletas. Esses banhos de temperatura variada evoluíam desde muito quentes
(caldarium) a mornos (tepidarium) até mais frios (frigidarium). Com o tempo,
esses banhos deixaram de ser de uso exclusivo dos atletas e se tornaram centros
para a saúde, higiene, repouso e atividades intelectuais, recreativas e de
exercícios, de acesso a coletividade. Em meados de 330 d.C., a finalidade
principal dos banhos romanos era curar e tratar doenças reumáticas, paralisias
e lesões.
Com o declínio do Império Romano, o uso do célebre sistema de banhos caíram em
ruína ao longo de décadas e por volta do ano 500 d.C. foram extintos. Na idade
média, com a influência da religião que considerava o uso das forças físicas e
os banhos de água um ato pagão, teve um declínio ainda maior, persistindo até o
século XV, quando houve um ligeiro ressurgimento.
O uso terapêutico da água, no entanto, começou a aumentar gradualmente no
início dos anos de 1700, quando um médico alemão Sigmund Hahn e seus filhos
defenderam a utilização da água para tratamento de úlceras de pernas e outros
problemas médicos. Essa nova conduta médica passa a chamar-se hidroterapia que,
conforme a definição de Wyman e Glazer, consiste na aplicação de água sob
qualquer forma para o tratamento de doenças.
Baruch cita a Grã-Bretanha como o lugar de nascimento da hidroterapia
científica, com a publicação dos primeiros trabalhos em 1697 por Sir John
Floyer ("An Inquiry into the right use and abuse of hot, cold and
temperate buths" - Uma investigação sobre o uso correto e o abuso dos
banhos quentes, frios e temperados). Baruch acreditava que o tratamento de
Floyer tenha influenciado os ensinamentos da "Heidelberg University",
através do professor Fridrich Hoffmann, que incluía as doutrinas de Floyer nos
seus ensinamentos. Esses ensinamentos foram levados para o França e Inglaterra
pelo professor Currie, que elaborou vários trabalhos científicos sobre a
hidroterapia. Embora o trabalho de Currie tenha sido pouco aceito na
Inglaterra, o inverso aconteceu na Alemanha. John Wesley, o fundador do
metodismo, escreveu um livro em 1747, enfocando a água como um meio curativo
("An easy and natural way of curing most diseases" - Uma maneira
fácil e natural de curar a maioria das doenças). Os banhos de vapor quente,
seguidos por banhos frios foram popularizados e se tornaram tradição, na
cultura escandinava e na russa, durante muitas gerações.
Em meados do século XIX o professor austríaco Winterwitz (1834-1912) fundou uma
escola de hidroterapia e um centro de pesquisa em Viena, onde realizava estudos
científicos que estabeleceram uma base fisiológica aceitável para a
hidroterapia naquela época. Seus discípulos, particularmente Kelogg, Brixbaum e
Strasser, trouxeram contribuições importantes para o estudo dos efeitos
fisiológicos do calor e frio e sobre os termorreguladores do corpo na aplicação
da hidroterapia clínica. Tais pesquisas serviram de impulso na instalação dos
banhos de turbilhão e exercícios subaquáticos que entraram em uso regular só no
começo do século XX.
Um dos primeiros norte-americanos a dedicarem seus estudos a hidroterapia foi o
dr. Simon Baruch. Realizou seus trabalhos a partir de estudos que fez com o dr.
Wintirwitz, na Europa. Publicou livros como "O uso da água na medicina
moderna" e "Princípios e prática da hidroterapia". Foi o
primeiro professor na Columbia University a ensinar a hidroterapia.
A partir desta época, a água deixa de ser utilizada de uma forma passiva,
através de banhos de imersão, e começa a ser utilizada de uma forma mais ativa,
empregando a propriedade de flutuação para a realização de exercícios. Em 1898
o conceito de hidroginástica, que implica o uso de exercícios dentro da água,
foi recomendado por von Reyden e Goldwater. Em 1928, o médico Walter Blount
descreveu o uso de um tanque com turbilhão ativado por motor que ficou
conhecido como "tanque de Hubbard". Tal invenção foi criada para a
execução de exercícios pelos pacientes na água e, por sua vez, trouxe para a
Europa grande desenvolvimento de técnicas de tratamentos aquáticos, como o
método dos anéis de Bad Ragaz e o método Halliwick. No Brasil a hidroterapia
científica teve início na Santa Casa do Rio de Janeiro com banhos de água doce
e salgada. Na época, a entrada principal da Santa Casa era banhada pelo mar (em
meados de 1922).
Atualmente, o conteúdo de instrução em fisioterapia aquática nos programas
acadêmicos de fisioterapia é uma prática cada vez mais freqüente, com um índice
de 62% de inclusão no currículo de nível básico.
Embora a reabilitação aquática venha realizando grandes avanços desde o começo
do século XX, é preciso intensificar ainda mais a utilização dessa prática
terapêutica pelos profissionais da saúde que acreditam nos seus benefícios,
estimulando a incorporação da reabilitação aquática nos programas de tratamento
terapêutico.
Efeitos fisiológicos e terapêuticos da água
Os efeitos fisiológicos na água aquecida
São resultantes do exercício executado e variam de acordo com as temperaturas
da água, a pressão hidrostática, a duração do tratamento e a intensidade dos
exercícios. Outro fator importante é que as reações fisiológicas podem ser
modificadas pelas condições da doença de cada paciente.
Muitos efeitos terapêuticos benéficos obtidos com a imersão na água aquecida
(como o relaxamento, a analgesia, a redução do impacto e da agressão sobre as
articulações) são associados aos efeitos possíveis de se obter com os
exercícios realizados quando se exploram as diferentes propriedades físicas da
água, tais como:
· Densidade relativa - determina a capacidade de flutuar de um objeto ou corpo.
A densidade da água é igual a 1, já a de um corpo humano é de 0,93, por isso
ele flutua;
· Força de empuxo ou de flutuação - é a força de sentido oposto ao da
gravidade. Ou seja, ao inspirar, o indivíduo bóia e ao expirar ele afunda, pois
com 5% da estrutura corporal acima da água, o corpo humano flutua. Essa
propriedade é utilizada como resistência ao movimento, sobrecarga natural,
estímulo à circulação periférica, fortalecimento da musculatura respiratória,
facilitação do retorno venoso e participante do efeito massageador da água;
· Tensão superficial - atua como resistência ao movimento. Possui valor apenas
quando o músculo é pequeno ou fraco;
· Pressão hidrostática - a água, como qualquer líquido, exerce pressão no
objeto nela imerso. Se o objeto estiver em repouso (relaxamento), a pressão
exercida em todos os planos será igual. Se o objeto estiver em movimento e a
água também, ver-se-à a pressão reduzida bem como o empuxo, provocando certo
afundamento que, se controlado, é parcial. Segundo a lei de Pascal, cada tipo
de massa (corpo, líquido, gasoso ou sólido) recebe e transmite uma pressão
determinada, dependendo da profundidade de imersão. Quanto maior a profundidade
em que o corpo de encontra, maior será a pressão exercida sobre ele. Isto
significa que um indivíduo em pé na água sofrerá maior pressão nos pés. A
pressão hidrostática possui efeitos terapêuticos, promovendo aumento do débito
cardíaco, aumento da pressão pleural e aumento da diurese;
· Impacto - ao contrário dos exercícios no solo, os aquáticos são executados em
baixa velocidade, diminuindo o impacto, o que faz diminuir também os problemas
advindos de tal formação, quando em solo.
Nos diferentes sistemas, os efeitos encontrados são:
· Sistema termorregulador: a manutenção do calor da água durante a terapia
diminui a sensibilidade da fibra nervosa com rapidez (tato) e a exposição
prolongada diminui a dor, através da sensibilidade da fibra nervosa lenta.
Então, na temperatura de 33°C e 36,5°C haverá:
1. A dilatação dos vasos sangüíneos, levando ao aumento do suprimento sangüíneo
periférico e elevação da temperatura muscular, que leva ao aumento do
metabolismo da pele e dos músculos e, conseqüentemente, ao aumento do
metabolismo geral e da freqüência respiratória;
2. O aumento da atividade das glândulas sudoríparas e sebáceas à medida que a
temperatura interna elevar-se;
· Sistema cardiorrespiratório: haverá mudanças, como:
1. Melhora da capacidade aeróbica;
2. Melhora nas trocas gasosas;
3. Reeducação respiratória;
4. Aumento no consumo de energia;
5. Auxílio no retorno venoso;
6. Melhoria da irrigação sangüínea, resultando na estabilidade da pressão
arterial e no retardo do aparecimento de varizes;
· Sistema nervoso: o calor relativamente brando reduz a sensibilidade das
terminações sensitivas e, à medida que os músculos são aquecidos pelo sangue
que os atravessa, seu tônus diminui levando ao relaxamento muscular;
· Sistema renal: com a variação do pH e da profundidade na qual o corpo está
submerso, há aumento dos fluidos corporais, levando ao aumento da diurese
profunda. Isso porque o sangue, ao ser bem distribuído, melhora a circulação
venosa e, consequentemente, a resposta renal e o estímulo ao processo de
micção, devendo-se tomar cuidado com pacientes com incontinência;
· Sistema imunológico: alguns estudos comprovam que a aplicação intensa e
prolongada de calor úmido penetra até 3,4 cm, atingindo inclusive camadas
superficiais dos músculos. Promove também o aumento do número de leucócitos,
além da melhora das condições tróficas, levando a um quadro geral mais saudável
do paciente;
· Sistema músculo-esquelético: os exercícios físicos podem começar nas
primeiras fases do tratamento, de modo que os músculos podem ser relaxados e o
metabolismo estimulado, ocorrendo:
1. Redução do espasmo muscular e das dores;
2. Diminuição da fadiga muscular;
3. Melhora da performance geral (trabalho de agonistas e antagonistas
igualmente);
4. Recuperação de lesões;
5. Melhora do condicionamento físico;
6. Auxílio no alongamento muscular;
7. Aumento ou manutenção das ADMs;
8. Melhora da resistência e da força muscular (trabalho equilibrado).
Efeitos terapêuticos da água aquecida
Preventivo:
1. Previne deformidades e atrofias;
2. Previne piora do quadro do paciente;
3. Diminui o impacto e a descarga de peso sobre as articulações .
Motor:
1. melhora da flexibilidade;
2. Trabalho de coordenação motora global, da agilidade e do ritmo;
3. Diminuição do tônus (diminuindo as referências fusais);
4. Reeducação dos músculos paralisados;
5. Facilitação do ortostatismo e da marcha;
6. Fortalecimento dos músculos.
Sensorial:
1. Estimula o equilíbrio, a noção de esquema corporal, a propriocepção e a
noção espacial, já que a água é um meio instável;
2. Facilita as reações de endireitamento e equilíbrio, visto que não existe
pontos de apoio e o paciente é obrigado a promover alterações posturais
(flutuação e turbulência);
3. Diminui os estímulos proprioceptivos à medida que aumenta a profundidade,
diminuindo a descarga de peso.
Os efeitos psicológicos da água aquecida
Bates e Hanson (1998) e Degani (1998) concordam que, como em todo programa de
saúde, a hidroterapia objetiva o bem-estar social do indivíduo. Quando passamos
por dificuldades, o organismo tende a se desorganizar e essa desarmonia pode
trazer sérias conseqüências físicas e/ou psíquicas.
O bem-estar, segundo esses autores, não consiste apenas em respostas do corpo,
da estrutura física, mas, sobretudo, de uma integração do corpo e da mente para
a obtenção de resultados ideais, levando a uma perfeita condição de exercício
da cidadania.
O tratamento do indivíduo através da hidroterapia vai muito além de progressos
físicos. Permite, ainda, a reconstituição da autoconfiança e da auto-estima; a
valorização do corpo no comportamento social; a integração do homem com o meio;
promove descarga de tensão emocional (relaxamento); equilíbrio emocional e
autocontrole; e age como facilitador da demonstração de sua criatividade (por
meio da autoconfiança).
Técnicas utilizadas na hidroterapia
Método Halliwick
O método Halliwick foi desenvolvido, em 1949, na Halliwick School for Girls, em
Southgate, Londres. MC Millian, que foi o criador da técnica, desenvolveu
inicialmente uma atividade recreativa que visava dar independência individual
na água, para pacientes com incapacidade e treiná-los a nadar. Com o passar dos
anos, ele foi aperfeiçoando seu método original e adotou técnicas adicionais
que foram estabelecidas a partir dos seguintes princípios:
· Adaptação ambiental: envolve o reconhecimento de duas forças, gravidade e
empuxo que, combinados, levam ao movimento rotacional;
· Restauração do equilíbrio: enfatiza a utilização de grandes padrões de
movimento, principalmente com os braços, para mover o corpo em diferentes
posturas e ao mesmo tempo, manter o equilíbrio;
· Inibição: é a capacidade de criar e manter uma posição ou postura desejada,
através da inibição de padrões posturais patológicos;
· Facilitação: é a capacidade de criar um movimento que desejamos mentalmente
e, controlá-lo fisicamente, por outros meios sem utilizar a flutuação. Tal
aprendizado é graduado através de um "programa de dez pontos", que
utiliza a seqüência do desenvolvimento do movimento físico pelo córtex
cerebral.
Essas técnicas têm sido utilizadas para tratar terapeuticamente pacientes
pediátricos ou adultos com diferentes alterações de desenvolvimento e
disfunções neurológicas, na Europa e nos Estados Unidos da América do
Norte.
Bad Ragaz
Bad Ragaz é uma cidade Suíça construída em torno de um spa de água morna
natural, com três modernas piscinas cobertas. Em 1930 teve início a utilização
deste spa para exercícios aquáticos. Tal técnica de exercícios se originou na
Alemanha pelo dr. Knupfer Ipsen, cujo objetivo era promover a estabilização do
tronco e das extremidades através de padrões de movimentos básicos e às vezes
resistidos, realizados segundo os planos anatômicos. O paciente é posicionado em
decúbito dorsal, com auxílio de flutuadores ou "anéis" no pescoço,
pelve e tornozelos, é por isso que a técnica também é designada de "método
dos anéis". Em 1967, Bridgt Davis incorporou o método de facilitação
neuromuscular proprioceptiva ao "método dos anéis". Beatice Egger
desenvolveu ainda mais esta técnica, publicando-a em Alemão.
Atualmente, o método Bad Raggaz é constituído de técnicas de movimentos com
padrões em planos anatômicos e diagonais, com resistência e estabilização
fornecidos pelo terapeuta. O posicionamento do paciente em decúbito dorsal é
mantido através de flutuadores nos seguimentos anatômicos já mencionados
anteriormente. A técnica pode ser utilizada passiva ou ativamente em pacientes
ortopédicos, reumáticos ou neurológicos.
Os objetivos terapêuticos incluem redução de tônus muscular, pré-treinamento de
marcha, estabilização de tronco, fortalecimento muscular e melhora da amplitude
articular.
Método Watsu
O Watsu, também conhecido como "Water Shiatsu", aquashiatsu ou
hidroshiatsu, foi criado por Harold Dull, em 1980. Tal técnica aplica os
alongamentos e movimentos do shiatsu zen na água, incluindo alongamentos
passivos, mobilização de articulações e "hara-trabalho", bem como
pressão sobre "tsubos" (acupontos) para equilibrar fluxos de energia
através dos meridianos (caminhos de energia). Há dois tipos de posições no
watsu: as posições simples e as complexas. As simples incluem os movimentos
básicos e de livre flutuação. As posições complexas são chamadas berços. O
fluxo de transição do watsu consiste em: uma abertura, os movimentos básicos e
três sessões: 1ª) berço de cabeça; 2ª) embaixo da perna distante, ombro e
quadril; 3ª) berço da perna próxima e uma conclusão.
Através da organização "Worldwide Aquatic Boby Work Association" (Associação
Mundial de Trabalho Corporal Aquático), na Escola de Shiatsu e Massagem,
localizada em Harbin Hot Springs, Middletown California - EUA, o autor da
técnica, Harold Dull ministra e orienta cursos de watsu e outras técnicas de
trabalho corporal.
A hidrocinesioterapia
A hidrocinesioterapia constitui um conjunto de técnicas terapêuticas
fundamentadas no movimento humano. É a fisioterapia na água ou a prática de
exercícios terapêuticos em piscinas, associada ou não aos manuseios,
manipulações, hidromassagem e massoterapia, configurada em programas de
tratamento específicos para cada paciente.
Os métodos terapêuticos específicos para a fisioterapia aquática que surgiram
na Europa e EUA vêm auxiliar a recuperação do paciente, como Halliwick
(Inglaterra), Bad Ragaz (Suíça), Watsu (EUA), Burdenko (Rússia), Osteopatia
Aquática (França e Canadá), entre outros.
Dessa forma, um programa de hidrocinesioterapia adequado a cada paciente pode
representar um grande incremento no seu tratamento, obtendo-se os efeitos de
melhora em tempo abreviado e com menor risco de intercorrências, como dor
muscular tardia e microlesões articulares decorrentes do impacto.
Uma avaliação criteriosa do paciente é realizada, acrescida de informações
sobre a experiência do paciente com a água, imersão e domínio ou não de nados.
O exame físico, a análise dos exames complementares e a avaliação dos
movimentos funcionais são indispensáveis para se estabelecer os objetivos do
tratamento e prognóstico idealizado, para então serem determinados os
procedimentos hidrocinesioterapêuticos em escala progressiva. A primeira sessão
do paciente na água visa complementar a avaliação convencional, a fim de se
observar sua adaptação e habilidades no meio líquido, densidade corporal e
flutuabilidade, bem como o seu comportamento na piscina.
As entradas e saídas do paciente na piscina são diferenciadas entre pacientes
que deambulam e os que não deambulam, bem como os procedimentos utilizados para
a adaptação do indivíduo ao meio líquido. Cabe salientar que todo o programa e
execução do tratamento são personalizados, específicos para cada paciente.
Adaptações da piscina e equipamentos para a hidroterapia
A piscina
As piscinas podem ser planejadas para "multiuso", sendo maiores (22,3
m de comprimento e 13,5 m de largura) ou para atendimento individualizado, que
seria uma piscina tipo "tanque" (até 3 por 3 m). A temperatura ideal
para a piscina maior oscila entre 27º e 29ºC e para a menor entre 33º e 34ºC.
A rampa que dá acesso à cadeira de rodas é necessária, assim como escadas
internas com os degraus baixos e corrimões bilaterais para a segurança do
usuário. O banco longo localizado ao lado da escada com hidrojatos posicionados
em alturas variadas para massagear os diversos seguimentos corporais (coluna,
ombros, joelhos) são utilizados. Os corrimões também são colocados ao longo das
áreas delimitadas pela parede da piscina. Os tipos de elevadores são:
hidráulico, elétrico, mecânico e pneumático e podem ser utilizados para
facilitar o acesso do paciente à piscina.
A profundidade da piscina varia entre 1,05 m e 1,35 m e é ideal para grande
parte dos tipos de terapia (piscina tipo "tanque"). Entretanto, a
profundidade de 2,10 m pode ser utilizada em piscinas maiores (tipo
"multiuso") que apresentam um fundo graduado, indo paulatinamente de
uma profundidade menor (1,05 m) para uma maior (2,10 m).
O vestiário
Uma instalação bem planejada concede até 1,8 m² de vestiário por pessoa. Pia,
toalete, tomadas para secadores de cabelo, balcões, bancos e armários são
considerados comodidades mínimas. O piso indicado para estas áreas é o
texturizado e ou antiderrapante. Tapetes de náilon de alta densidade também
podem ser colocados.
Sala mecânica e química da piscina
Tal sala contém a bomba de circulação de água, filtros, controladores químicos,
sistema de vácuo, sistema desinfetante, aquecedor de água e substâncias
químicas, assim como sistema de ventilação adequado.
A água morna da piscina ou spa exige um controle do equilíbrio químico correto.
Os níveis de coloração, assim como a coloração mineral, os "pontos de
quebra" e a espumação devem ser monitorados e registrados por um operador
de piscina constantemente.
O piso ao redor da piscina ou deque
O piso ao redor da piscina ou deque é construído de material antiderrapante
(coeficiente de atrito úmido acima de 0,70 cm em referência aos pés descalços),
devendo ser livre de obstáculos para prática e procedimento de evacuação de emergência.
Considerações de segurança para a piscina
As marcas de segurança interna na piscina, assim como ao redor devem ser
colocadas para comunicar os riscos aos usuários. Há quatro tipos de aviso de
risco: 1) riscos comportamentais: não comer, não utilizar a piscina além do
horário permitido, não mergulhar ou saltar; 2) perigos físicos: água turva,
superfície do deque molhada ou escorregadia, profundidade maior etc.; 3)
perigos químicos: como armazenar produtos químicos de limpeza; 4) riscos
ambientais: como fios elétricos ou de energia, equipamento de comunicação,
rádio ou outros elementos.
A iluminação no deque da piscina também faz parte das considerações de
segurança e deve ter uma intensidade mínima de 100 pés-vela.
Equipamentos de exercício para hidroterapia
Os equipamentos utilizados para a hidroterapia oferecem suporte para a
flutuação ou aumentam a intensidade de um exercício ou adicionam variedade a um
programa tornando-o mais agradável e diversificado.
Os equipamentos de auxílio à flutuação geram um ambiente aquático mais
confortável e seguro para o paciente. Eles são utilizados para obter posição
correta do corpo, fornecer estabilidade, promover meio de tração, graduar
forças compressivas, assistir movimentos e aumentar a resistência do movimento.
Os equipamentos para exercícios aquáticos que intensificam a resistência
normalmente são elaborados em cima de um aumento da área de superfície que é
puxada ou empurrada através da água. A quantidade de resistência é determinada
por três fatores: o tamanho da peça e o espaço na água que a peça ocupa,
proporcionando um arrasto maior ou menor; a forma que o objeto apresenta na
água, variando a respectiva aerodinâmica; e a velocidade do movimento da peça
na água.
Os equipamentos mais utilizados de uma forma geral são: esteiras rolantes,
equipamentos de acesso à piscina, equipamentos de flutuação, pesos,
equipamentos de resistência baseado em arrasto, aquatoner, hidrotone, sistemas
de amarração, estações de exercícios submersas, brinquedos e equipamentos
recreativos, equipamentos de segurança, vestuário aquático e aparelhos de
medição.
Aplicações gerais da hidroterapia
Indicações
Os efeitos terapêuticos gerais são:
1. Alívio de dor;
2. Alívio do espasmo muscular;
3. Relaxamento;
4. Aumento da circulação sangüínea;
5. Melhora das condições da pele;
6. Manutenção e/ou aumento das amplitudes de movimento (ADMs);
7. Reeducação dos músculos paralisados;
8. Melhora da força muscular (desenvolvimento de força e resistência muscular);
9. Melhora da atividade funcional da marcha;
10. Melhora das condições psicológicas do paciente; e
11. Máxima independência funcional.
Dentre os resultados de pesquisas publicadas há efeitos terapêuticos da
hidroterapia já comprovados por evidência científica, dentre os quais se
destacam os benefícios como aumento da amplitude de movimento, diminuição da
tensão muscular, relaxamento, analgesia, melhora na circulação, absorção do
exudato inflamatório e debridamento de lesões, bem como incremento na força e
resistência muscular, além de equilíbrio e propriocepção. Afirmam que o espasmo
muscular pode ser reduzido pelo calor da água, auxiliando na redução da
espasticidade. Os autores sustentam ainda que a imersão na água provoca redução
do tônus muscular, enquanto que a dor pode ser reduzida por ambos os estímulos
térmicos. Além disso, a imersão na água facilita a mobilidade articular,
relacionada à redução do peso corporal.
Contra-indicações
Há algumas contra-indicações absolutas, como feridas infectadas, infecções de
pele e gastrointestinais, sintomas agudos de trombose venosa profunda, doença
sistêmica e tratamento radioterápico em andamento. Alguns processos micóticos e
fúngicos graves também requerem afastamento do paciente de ambientes úmidos.
Processos infecciosos e inflamatórios agudos da região da face e pescoço, como
inflamações dentárias, amigdalites, faringites, otites, sinusites e rinites,
costumam apresentar piora com a imersão, por isso devem representar
contra-indicação.
Alguns cuidados são importantes tais como: ao entrar na piscina, os vasos
cutâneos se constringem momentaneamente, causando um aumento da resistência
periférica e aumento momentâneo da pressão arterial. Mas durante a imersão, as
arteríolas se dilatam, ocorrendo uma diminuição da resistência periférica e,
por essa razão, queda da pressão arterial. Logo, quanto maior a temperatura da
água, menor deve ser o tempo de exposição.
Já os problemas cardíacos graves, além de hipo ou hipertensão descontrolada,
devem ser acompanhados com cuidado, bem como insuficiências respiratórias e
epilepsia ou uso de válvulas intracranianas. Além disso, incontinências
urinária e fecal merecem atenção especial. Problemas como náuseas, vertigem,
doenças renais, hemofilia, diabetes, diminuição importante da capacidade vital
e deficiência tireoidéia, além de tratamento radioterápico recente, devem ser
discutidos com o médico, para estudar a indicação. Pacientes com fobia à água
devem ter um acompanhamento criterioso, enquanto que pacientes com aparelhos de
surdez não devem utilizá-lo na piscina. Nem mesmo pacientes com HIV positivo
não são excluídos, mas devem ser tratados no final do expediente da piscina,
para que a água circule o suficiente antes que outros pacientes sejam tratados.
Existem as contra-indicações gerais, como:
· Febre;
· Ferida aberta;
· Erupção cutânea contagiosa;
· Doença infecciosa;
· Doença cardiovascular grave;
· História de convulsões não controladas;
· Uso de bolsa ou cateter de colostomia;
· Menstruação sem proteção interna;
· Tubos de traqueostomia, gastrostomia e/ou nasogástricos;
· Controle orofacial diminuído;
· Hipotensão ou hipertensão grave;
· Resistência gravemente limitada.
FONTE: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=3368&fase=imprime
EQUIPE:
Manuela
Guilherme
Hortência
Diego
Fabiana
Omar